OMS pede cautela no uso de Medicina Alternativa
OMS pede cautela no uso de Medicina Alternativa
Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008
A OMS (Organização Mundial da Saúde) fez um alerta para os riscos da chamada medicina alternativa, cuja utilização tem crescido nos últimos anos.
De acordo com a OMS, muitas terapias alternativas como o uso de plantas medicinais - tiveram benefícios reconhecidos cientificamente. Porém, precisam ser tratadas com as mesmas precauções da medicina convencional.
Seja pela tradição ou pela falta de opções, até 80% das pessoas dos países em desenvolvimento confiam na medicina tradicional nos primeiros estágios dos tratamentos.
Já em muitos países desenvolvidos, muitos pacientes recorrem a tratamentos alternativos porque pensam, equivocamente, que são formas "naturais" e, portanto, seguras.
"O número de consumidores está a aumentar tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento", afirma Zhang Xiaorui, coordenador da OMS para a medicina tradicional. "Eles não sabem como usá-las e é fácil cometer um erro", acrescentou.
Segundo estimativas, 65% da população optaram pelos remédios das medicinas "tradicional, complementar ou alternativa", amplamente vendidos sem receita. Em função disto, a OMS informou ter apresentado a seus estados-membros novas regras sobre as informações que devem ser dadas aos pacientes.
Mais de 10 mil notificações sobre efeitos indesejáveis causados pela medicina alternativa foram reportados a um centro de vigilância da OMS na Suécia durante 20 anos e o número está a aumentar, informa o vice-director-geral da OMS, Vladimir Lephakin.
"A ideia de que a medicina tradicional ou a chamada medicina natural é segura não está correcta. Pelo contrário, há complicações sérias, reacções adversas", alerta.
Estudos mostraram casos de problemas nos pulmões ou no tórax causados por acupunturistas desqualificados.
Os pacientes, também, não costumam informar os seus médicos sobre os tratamentos alternativos que estão a seguir, quando procuram ajuda para outra doença, causando complicações.
A OMS relatou casos de hemorragia durante cirurgias realizadas em pessoas que ingeriram o medicamento Gingko Biloba, que teve reconhecidas as suas propriedades no tratamento de problemas de circulação.
A hemorragia poderia ter sido facilmente controlada se os médicos soubessem que os pacientes estavam a tomar esse remédio natural, explica a OMS.
France Presse, em Genebra (Suíça)

